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  • 04 Out
  • 2016

FK A GENRE porque falar de mainstream e underground é tão ultrapassado

Postado em Nas pick-ups por Marimai
FK A GENRE porque falar de mainstream e underground é tão ultrapassado

Essa não é a primeira vez que eu falo desse assunto aqui no blog, mas parece que precisamos ir e voltar na esperança de que quanto mais discutimos isso, mais a cena irá se unir e respeitar as diferenças.

Isso porque as pessoas insistem em relacionar os termos mainstream e underground com sua dependência de gêneros musicais, mas estamos vivendo um período promissor, um nicho significativo defende e luta pela igualdade de gêneros, promovendo a aceitação do novo e do que é diferente. A busca num plano ideal é que todos os gêneros possam co-existir sem necessariamente serem classificados como mainstream ou underground. Engana-se quem confunde essa busca pela coexistência com "tornar-se mainstream", o que temos não são diferentes nichos disputando um único lugar, mas sim conquistando o seu próprio espaço. Estamos vivendo com os gêneros o que a música eletrônica como um todo já viveu, lutando para se manter no circuito como o Hip Hop, o Pop, o Rap e qualquer outro estilo musical, não é sobre ser ou não mainstream, é sobre CO-EXISTIR.

No documentário da segunda edição do Made in America, festival de Jay-Z (um dos empresários mais importantes da indústria fonográfica), o próprio declarou sobre incluir a música eletrônica no festival que tem como headliners artistas como Rihanna e Coldplay: 'As pessoas estão descartando [EDM] como um modismo, assim como fizeram com o Hip Hop, mas acredito que será um pouco mais complexo que isso. Eu acredito que é a música da próxima geração, é a trilha sonora deles, é a música que eles estão clamando como sua própria. Eles vão comprar Hip Hop e eles vão comprar outro tipo de música, mas esse outro tipo será como 'essa música é nossa'.'

O magnífico da nossa geração, da internet, das plataformas de streaming é justamente essa chance que temos de não nos prender ao convencional, de poder ter nossos próprios gostos musicais, nossas bandas e artistas favoritos. De descobrir o que gostamos e o que não gostamos por si só, independente do mercado, apontar aquilo que achamos que deveria ser conhecido por mais pessoas e impulsionar com nossa força de um click, um share, um play. Não é à toa que 4 das 5 músicas mais tocadas do Google Play no último mês são eletrônicas. Não dependemos mais da indústria, das grandes gravadoras e das mídias convencionais para nos dizer o que devemos ou não ouvir, então por que ainda discutimos entre nós mesmos sobre o que é underground e mainstream? E pior, desvalorizamos um para supervalorizar o outro. Ambos não podem simplesmente serem aceitos? Afinal, o que você vai fazer quando o seu lifestyle underground se tornar mainstream? Irá criticá-lo simplesmente por que mais pessoas se juntaram a você? É contraditório.

Não quer fazer parte da maioria? Parabéns, você é uma pessoa inquieta e que não se acomoda. Não tem nada de mais em seguir em frente, trocar o disco, pesquisar, mudar, reinventar-se, torna-se underground novamente. Mas fique feliz e satisfeito que sua missão foi concluída, você compartilhou seus interesses com mais pessoas que aprovaram seu estilo musical e se juntaram a você, divirta-se com a popularidade e repita o ciclo. Mas, POR DEUS, pare de criticar o mainstream, ele é a porta de entrada para novos admiradores da cena, precisa ser enxegado como tal, visto com olhos de oportunidade.

Já dizia Lavoisier: 'Nada se cria, tudo se transforma'. Como procurar uma nova identidade musical sem ousar ultrapassar o limite imposto por gêneros musicais? A música eletrônica é uma cultura de apropriação. Essa mistura de bpm, gêneros, grooves, melodias, ruídos, elementos, samples infinitos, é pegar o velho e dar uma nova roupagem transformando em algo novo e único.

Pare de tratar os gêneros mais populares como modismos, pare de se apegar ao que é mainstream ou underground, assim como a música eletrônica deixou de ser tratada como modismo e hoje co-existe com outros estilos musicais, vamos aceitar que diferentes gêneros possam co-existir, tem espaço para todos no mercado. Quanto mais nos unirmos, mais a cena como um todo sairá ganhando.

Por que ter um Boiler Room no Brasil com Gui Boratto, Junior C e L_Cio é tão importante quanto o Boiler Room com o Skrillex em Shanghai? De um lado um artista que conquistou uma legião de fãs, já ganhou até Grammy, mas continua sendo criticado por seu som ou por trabalhar com Justin Bieber ou por qualquer motivo de merda, do outro uma das mais conceituadas plataformas da música eletrônica em escala global. 

Sim, ainda há muito o que ser feito pela cena. Que tal começar respeitando e aceitando as diferenças? A união sempre fez a força.

Sobre Marimai

Marimai O "monstro criado pelo capitalismo musical" uns diriam, outros apenas compreendem seu principal objetivo, que é levar a música eletrônica para o maior número de pessoas possível, sem segregar e sim incluir. Afinal, o efeito que a música causa nas pessoas merece ser compartilhado.

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