Entrevista com Hollywhaaat

Ele chegou na cena gerando curiosidade e intrigando o público da música eletrônica com teasers eletrizantes e uma comunicação irreverente, pra lá de criativa! Nem Tarantino poderia prever um plot twist desses, música eletrônica inspirada em filme? Temos!

Marcado pela sua estreia com mix no Sonzeira, programa de rádio que vai ao ar na Rede Atlântida, onde hollywhaaat deu a letra e tom do projeto, seguido pelo seu primeiro red carpet oficial com o ‘Show Respect’, música inspirada em “O Poderoso Chefão”, hollywhaaat mostrou que não está para brincadeira quando se diz respeito a levar todos os prêmios da categoria ‘melhor trilha sonora’ para casa.

Uma das coisas que mais nos chamou a atenção, com certeza, foram as estratégias de conteúdo abordadas pelo artista, mostrando que não basta fazer música, precisa dominar o marketing para alavancar a carreira de qualquer artista. Entrevistamos o hollywhaat e tentamos descobrir quem é o artista secreto por trás do projeto, será que nossos skills de detetive funcionaram ou vamos precisar de alguém mais experiente? – Alô Enola Holmes, corre aqui!

Primeiramente, tudo bem com você hollywhaaat? Segundamente, a pergunta que não quer calar, quem é hollywhaaat?

olaaar. como diria Joey, em Friends: how you doin’?
quanto à segunda pergunta, se eu te contasse, teria que te matar. 🌝 não sou nada além de um personagem interpretando um papel de corpo e alma neste filme que às vezes é drama, às vezes ação; às vezes é comédia e outras, sci-fi – e que chamamos de vida.

O projeto foi lançado em 2020 e logo já despertou a curiosidade do público, principalmente através dos conteúdos e da estratégia de marketing, algo totalmente novo no mercado nacional. Seria o hollywhaaat uma espécie de Marshmello brasileiro?

obrigaaado, fico mais emocionado com suas palavras do que fiquei quando assisti Interestellar. essa comparação é natural, partindo do pressuposto que Marshmello também é um personagem misterioso e está em alta. falando assim, poderia-se dizer que o hollywhaaat é o Daft Punk brasileiro? o Deadmau5 brasileiro? ou será que o hollywhaaat é o Deadpool brasileiro? ou o Exterminador do Futuro brasileiro? é que tem similaridades, mas estão só na superfície: o universo que estou criando, as sonoridades, os conteúdos, a jornada… é outra. estou buscando criar algo novo. mesmo que, para isso, eu use uma infinidade de coisas que não sejam novas. afinal, na arte tudo é um remix de um remix de um remix.

O que te motivou a esconder a sua identidade?

o cinema me ensinou que tudo fica muito mais interessante com suspense. se entregar tudo de cara, não se tem um filme. e um ps aqui: não é irônico que o fato de esconder a identidade traga mais identidade para o projeto?

De onde veio a ideia de fazer músicas inspiradas em filmes?

será que é porque eu venho de dentro de um filme e isso sempre fez parte da minha vida? fica o questionameeento. 🌝

essa ideia veio muito forte pra mim enquanto eu assistia pela milésima vez a um filme do Tarantino, que costuma ter trilhas sonoras incríveis. foi aí que deu o clique. até porque Tarantino é um desses diretores que tem uma linguagem muito característica, muito própria dele, mas ao mesmo tempo toda a sua obra é assumidamente feita de referências: desde o western spaghetti de Sergio Leone ao cinema japonês de Akira Kurosawa a, sei lá, Elvis Presley.

além disso, na cena sempre existiu uma ou outra música inspirada pelo cinema e pela cultura pop em geral, como foi o caso da Potter (do KVSH), da Fuego (com a abertura de Narcos) ou dos infinitos remixes de La Casa de Papel. mas nenhum projeto se apropriou para fazer APENAS isso. por vários motivos:
porque é uma limitação (mas para mim é infinito o que se pode fazer dentro desse universo e a limitação também é uma benção).

  • porque dá muito mais trabalho (já fiz mais de 150 mashups e edits para dar contexto cinematográfico a tracks eletrônicas que não tinham nada do cinema antes, por exemplo).
  • porque se você não entende muito cinema e consome de verdade, se você não vai a fundo e não é curioso a ponto de estudar sobre, conhecer diretores e as pessoas que estão por trás do que você assistiu… você não vai conseguir fazer. vai fazer uma música ou outra, mas para por aí. porque como faria um set inteiro só com referências cinematográficas? e como faria milhares de sets inteiros com referências cinematográficas diferentes?
  • porque precisa ser criativo ao encontrar formas de lidar com os direitos autorais. por isso, deixo bootlegs e mashups para o set, mas nas autorais busco homenagear sem necessariamente usar o sample original da obra. criando coisas novas e dando contextos diferentes aos filmes, séries e seus temas e trilhas.

Quando você pensou na identidade musical do projeto, você já imaginava a linha que iria seguir nas estratégias de divulgação ou você primeiro pensou na divulgação e teve a ideia das músicas depois?

primeiro veio o conceito: misturar a música eletrônica ao universo do cinema, criar histórias com os sets, conteúdos brincando com os filmes, ser tudo muito audiovisual, ter uma experiência diferente nos shows e por aí vaaai. mas os detalhes foram construídos aos poucos (como seria a sonoridade, qual seria a identidade visual, o tom de voz…) e tudo foi fazendo sentido conforme outras respostas foram surgindo.

O seu projeto realmente abre inúmeras possibilidades de ativações. Na sua opinião, qual a importância de criar conteúdos que conectem com o público da forma como você propõe?

a gente vive um tempo de excesso de informação. para conseguir chamar a atenção e se conectar, precisa ser verdadeiro e precisa fazer diferente do que todos estão fazendo.

trabalhar com a nostalgia é algo que não é nenhum segredo, já que o sucesso de Stranger Things, por exemplo, foi muito baseado nisso. mas simplesmente fazer um Stranger Things genérico, não cola, porque já temos Stranger Things.

isso vale para os filmes que saem aos montes nas plataformas de streaming. para as músicas que fazemos. e para os conteúdos que criamos para as redes sociais.

você pode ser apenas mais um lançando versões genéricas de filmes que estouraram no passado ou você pode fazer algo que impacte a cultura pop, entre nas conversas e, quem sabe, concorra a um Oscar. eu quero o Oscar.

A gente achou o music vídeo de ‘Psycho’ meio uma pegada Tarantino. Quais são as suas maiores referências na indústria cinematográfica?

acho que tudo que eu fizer vai ter um pouquinho de Tarantino porque a essência do hollywhaaat vem muito daí. no caso do clipe da psycho, fui mais a fundo nas referências de terror: desde os clássicos do Hitchcock aos mais modernos, como Jordan Peele (que fez “Corra” e “Nós”). mas como um todo, me inspiro muito em diretores como Christopher Nolan, Kubrick, Damien Chazelle e Wes Anderson; compositores como Hans Zimmer, Ennio Morricone, Danny Elfman, John Williams e Bernard Herrman; atores como Jim Carrey, Jack Nicholson, Emma Stone, DiCaprio, Samuel L. Jackson e Tom Cruise; e personagens como James Bond, Beatrix Kiddo, Yoda e John Wick.

Como você descreveria sua música para alguém?

o novo tech house misturado com gêneros inusitados: ação, drama, suspense e terror.

O que podemos esperar dos próximos lançamentos? Quando será o próximo red carpet?

spoiler alert: nos meus próximos lançamentos vou entrar no universo de heróis e HQs para lançar “put on a happy face”, inspirada no Joker, e “super powers”, a música em que vou revelar meus poderes (fica aqui o suspense). quem sabe não tenha mais um red carpet entre elas? depois vão ter novos episódios com diferentes gêneros do cinema (aí tem que assistir na primeira fileira para descobrir).

Quais são as suas metas para 2021 como hollywhaaat?

lançar muita música e conteúdo cinematográfico, sempre surpreendendo, inspirando e criando coisas que deixem as pessoas com essa sensação de “whaaaaaaat?”. a ponto de tornar cada vez maior e mais claro para as pessoas o universo que estou criando. e a ponto de quando o mundo lá fora estiver pronto para mim, eu esteja pronto para o mundo. não vejo a hora de acabar esse filme de ficção científica cheio de drama que estamos vivendo para tocar o terror nas pistas.

Algum formato de conteúdo que você queira investir/criar como hollywhaaat? Talvez alguma série em vídeo ou podcast?

existem muitas ideias e possibilidades para o futuro e não pretendo me limitar só à música, mas sim abraçar os mais diferentes tipos de arte. começando pelo cinema, é claro. não posso falar demais, senão perco os contratos milionários que tenho com os maiores estúdios de Hollywood (desculpa, como vivo viajando no tempo, às vezes fico confuso e não sei se isso já aconteceu ou ainda vai acontecer… que ano estamos mesmo?).

Por enquanto ainda vamos ficar sem saber quem é hollywhaaat, mas estamos curiosos, em algum momento você pensa em revelar quem é, como ZHU fez, ou você pretende ficar no anonimato, como o Malaa?

é uma ótima pergunta. mas como não sou fã de spoilers, aguarde as cenas dos próximos episódios para descobrir.

Espero que tenham curtido a entrevista tanto quanto a gente, aproveita e vai lá seguir o hollywhaaat nas redes sociais:

@hollywhaaatmusic

Spotify

SoundCloud

P.S. Para quem quer dicas de marketing para artistas, fica de olho no Assim Que Rola que ainda essa semana tem novidades!