A comunidade do hardstyle conquista (finalmente) o mainstage do Tomorrowland

Convivemos com as incontáveis vertentes da EDM. Das clássicas até as recentes e subjugadas. As que têm lugar nas rádios, as que fazem a festa nos maiores festivais. As que quase ninguém vê. As que se consagraram, as que buscam um lugar ao sol. O hardstyle já foi a última, esteve na sombra do mundo. Hoje, se faz ver.

Aconteceu no último domingo, no Tomorrowland, na Bélgica. Pela primeira vez na história, o palco principal do evento abrigou um show de um ícone desse estilo que surgiu no meio da década passada e até então, o máximo que teve, foi um espaço nos palcos secundários. Ainda que existam festivais gigantescos dedicados ao hstyle, foram minutos históricos, o mundo assistiu pelos streamings. A comunidade celebrou com um batismo. A rebelião frutificando. Nossa igreja, nossas regras, nosso mundo, como diz uma icônica música.

O responsável por um set absolutamente arrebatador foi DJ Coone, um ícone do Q-Dance e propulsores da cena ao lado do filho pródigo e rebelde, Headhunterz, o senhor dos remixes, Brennan Heart, o grande Wildstylez, até aqui no Brasil tem gente que se arrisca produzindo o que realmente gosta, como D-Stroyer. Coone evidenciou o tamanho do momento desde suas primeiras palavras que, emocionadas, diziam ser aquele um ponto de subverter a ordem.

Com “Superman”, track lançada no mês passado, abriu o caminho para que colocasse uma sequência totalmente autoral, mesclando pouco com as tracks mais famosas ao grande público, uma tática de risco, mas que funcionou demais para que o crowd control não se perdesse. Pelo contrário, Coone se manteve conectado aos milhões que o viam. Sua postura impositiva e confiante, cantando todas, todas as músicas, fez imensa diferença.

Um Belga, na Bélgica. Alguém que teve uma label no início de carreira, um projeto autoral, alguém que uniu sua marca com Steve Aoki, através da Dim Mak, que se uniu a Dimitri Vegas & Like Mike para lançar um hit, alguém que pulou os muros da comunidade pouco acessada do hardstyle para dar vida a uma jurisprudência musical que fará imensos frutos. Coone foi um ases na história da música eletrônica, bem debaixo dos nossos olhos e ouvidos.

Brennan Heart já havia dominado o Freedom Stage e o hard feito festa por outros palcos, mas nenhum momento como esse. No mainstage, o “Trash Moment” aconteceu com lixos jogados ao alto no drop da track que Coone tem ao lado de Unmet Ozcan e MC Vilain. Rolou também o maior hit do Tomorrowland 2018, o clássico “Zombie”, rock da década passada reconstruída pelas mãos e talento de Ran-D. Um set extremamente bem construído com a mescla do que há de melhor na cena, pouquíssimo som além da EDM e muita vibe.

Não sabemos onde essa história pode resultar, mas o que aconteceu não pode ficar esquecido. Gostando do que o espírito do coração laranja propõe ou não, há que se admirar essa conquista de espaço, de respeito. A sinergia que se fez no maior dos palcos, pro mundo ouvir. Que venham mais momentos desses. A EDM merece!