5 mitos que ouvimos sobre o processo de mixagem

O processo de produção de uma música é complexo, principalmente quando estamos em fase de aprendizado e costumamos buscar diversas fontes para extrair os conteúdos. É bem comum encontramos informações que se divergem entre si sobre um mesmo assunto.

Em colaboração com um amigo e talentoso produtor, Leonardo Andrade, do projeto Bulk Beat, separamos 5 dicas que costumam confundir os produtores durante a mixagem da track, confira abaixo:

#1 Você tem que usar sidechain

O sidechain é bastante conhecido por ser usado para se mixar o kick e o bass e é o que faz o elemento parecer estar pulsando. É comum ver produtores abusarem dessa técnica, acreditando que o sidechain é o que vai deixar o low end da música o mais claro possível.

Muitas vezes o sidechain é usado em elementos com forte presença no médio e agudo, causando o pumping neles, o que acaba por tirar a naturalidade dos instrumentos. Tome cuidado ao se utilizar desse efeito e não acabar abusando, principalmente com releases longos. Se não usado corretamente, o sidechain pode acabar estragando sua mix.

#2 Cortar tudo que não for kick e bass em 100Hz

Muitos falam que tudo que não for kick e bass na track deve ser cortado abaixo de 100Hz, com a intenção de limpar a mix nessa região de frequência e dar mais clareza ao low end da música, mas na verdade existem alguns instrumentos que dependem de frequências inferiores a 100Hz para reproduzir com todo o seu potencial dentro de uma mixagem, como por exemplo, o  snare, que se cortado abaixo dos 100Hz poderá perder “corpo” e ao final da mix acabar soando “magro”. A moral da história aqui é que você deve equalizar de uma forma que atenda à sua faixa, e nunca se esqueça de usar seus ouvidos.

#3 Você precisa comprimir tudo

Se você usa samples de packs conhecidos como da Vengeance, Cymatics ou do Splice, é provável que os sons já sejam extremamente processados. Em algumas situações a compressão pode ser necessária, já em outras a situação pode pedir o processamento inverso, ou seja, de expansão do áudio. Muita atenção com o over processing de seus arquivos, isso pode fazer sua mix soar “presa” demais.

Se você comprimir em excesso um sample poderá perder sua força e impacto. Se ainda tiver problemas para ouvir a compressão, faça simulações com um compressor. Defina um ratio alto, attack curto, release longo e baixo threshold. Isso criará uma compressão extrema que você pode experimentar. Certifique-se de nivelar com o sinal antes e depois do compressor, ligando e desligando o compressor, fazendo o teste A/B para saber como ele está afetando o áudio.

#4 Eu posso ajeitar “quando chegar a hora da mix”

Se a sua track está soando bagunçada durante o a produção, não será na hora da mix que ela irá soar limpa. Irá apenas soar como uma bagunça polida. Se os elementos estiverem soando muito bem entre si durante a produção, a sua mix está de certa forma mais fácil de se trabalhar. A organização dos canais e nomenclaturas corretas, agrupamento de canais e auxiliares em seus devidos lugares otimizam o tempo e a maneira de pensar na hora do processo final de mixagem.

A dica é na hora do processo de mixagem iniciar pensando de forma macro, ou seja, na mix como um todo e reparar o que salta aos seus ouvidos ou o que está faltando, provavelmente será lá que você deverá mexer. Não se contente com “na hora da mix eu consertarei”, o processo de mixagem é contínuo e muitos produtores o iniciam durante a própria produção inicial da track e não deixam para resolver tudo no final.

#5 Sempre equalize

Muitas vezes o som não necessita de nenhuma equalizacão. “Respeite” o som. Entenda o que ele te pede e não saia dando boost e cut sempre, pois acabará estragando o áudio. Se tiver que escolher entre dar boost ou cut, prefira cortar. Muitas vezes você pode estar achando que a sua mix está com “pouco brilho”, com pouca presença nos médios e acabar dando um ganho demasiado nessas regiões, fazendo a música soar mais artificial quando na verdade a falta de brilhos e agudos pode ser o excesso de graves e médio graves.

Pense na música como preto e branco, para dar espaço pro lado branco você provavelmente terá que tirar um pouco do lado preto e vice-versa. Opte na maioria das vezes por tirar ao invés de acrescentar a uma região de frequência. É necessário ter cautela com a região de frequência que estará sendo impulsionada, certifique-se de que cada elemento em que você mexerá, terá uma relação harmônica com os outros e se afeta a mix geral.

#Bônus – Masterização

Cuidado ao usar referência para a mix. Lembre-se que as referências são tracks já finalizadas e que já passaram pela master. O processo de masterização deve ser pensado de forma separada ao de mixagem, evite fazer o processo na mesma sessão da mix. Procure sempre iniciar horas depois ou no dia seguinte após concluir a mix, pois estará com o ouvido mais descansando e mais atento. Em breve traremos um post discutindo sobre o processo de masterização.

Qual mito você mais ouve ou ouviu falar? Caso ele não esteja na lista, comenta aqui sobre ele.